segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

A Penumbra - Capítulo 17

A Penumbra

   Uma floresta de arvores altas muito próximas e com folhas tão volumosas que impediam que a luz do sol pudesse entrar lá era tudo o que se podia ver com a lamparina. Um barulho de vegetação se mexendo chamou a atenção da garotinha para uma trilha de orquídeas negras jogadas de forma aleatória como se algo tivesse andado por lá as deixando cair não intencionalmente.
   Lembrou-se da primeira vez que sentiu seu aroma e decidiu descobrir onde essas misteriosas flores levavam. Quanto mais avançava mais forte o perfume estava, mas seu sensível olfato não se incomodava, na verdade lhe parecia muito familiar. Se sentia mais atraída a cada passo, como uma mosca indo em direção a uma lâmpada.
   Se assustou após ver dois olhos brilhantes como jade vindos de um arbusto a sua frente, apesar de suas pupilas serem como as de uma cobra, seu olhar era semelhante ao humano. Sentia a necessidade de chegar mais perto então se aproximou com cautela e estava confusa em como não havia visto algo assim antes, lhe parecia inexplicável.

Desenho by naiaszdr (insta)
   Quando apenas a distância de uma braçada dividia o animal e a menina podia sentir um bafo de carne e sangue, mas não recuou. Um instante foi o suficiente para que a fera se levantasse e saísse correndo na direção oposta, sendo seguida pela criança que tratou de se embrenhar em meio ao caos de folhas e gravetos do arbusto. 
   Atravessou-o e seus olhos foram atingidos pela luz sol, apesar da alegria de sair daquele lugar, sua busca parecia ter sido inútil ao perceber que havia perdido-a de vista. Tudo parecia ter sido uma estranha alucinação.
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Insônia - Capítulo 16

Insônia

   Suas preocupações de lhe impediam o sono naquela noite, Kale não conseguia parar de pensar na irmãzinha perdida na mata. Não poderia fazer isso as cegas a essa hora da noite, especialmente depois de ter ouvido aquele som pavoroso que lhe causava arrepios.
   As primeiras horas da madrugada foram gastas escrevendo de forma fervorosa em um pequeno caderno de anotações com capa de pele de cobra, o garoto ainda se lembrava com remorso o dia em que matou aquele animal. Após algum tempo ele cansou e deitou-se na rede, ficando muito tempo olhando pensativo para o teto enquanto se balançava devagar, adormecendo sem perceber. Em seu ele havia escrito um poema como um grito silencioso tentando expressar como se sentia:
Em meio àquela floresta
Vários olhos voltados a mim
E tudo que me resta
é continuar mesmo assim
Não há como parar
Muito menos como voltar

A lua iluminando-me o rosto
Enquanto a garota eu puxo a contragosto
Posso sentir seu fino pulso
Como se fosse quebrar em minhas mãos
Por um instante me sinto como um urso
Como se para meu pai inexistentes fossem os "nãos"

Não estava realmente bravo,
só preocupado
Não poderia perder o que para mim é precioso
Que era minha pequena irmã
Não poderia deixar se machucar
Aquela que eu podia sentir o osso
Mesmo meu pai a não se importar
O olhar inocente me atraia os cuidados como um imã
Desenho by naiaszdr (insta)
   Ao ouvir os primeiros pássaros cantarem em sua janela perto do amanhecer, tratou de levantar e arrumar-se para sair, vestiu uma jaqueta de pele de javali, calças de pele de coelho e botas feitas de pele de cobra, tudo que ele se enojava ter tirado a vida e que sua vizinha costurou.
   Pegou na gaveta a faca que costumava usar para extrair ervas diariamente e se deparou com o facão que ganhou de presente quando era pequeno, não parecia mais tão pesado desde a última vez que se viu obrigado a usar aquilo. Tantas más recordações em um único objeto de uma época que ele não podia apenas dizer "não" e sair correndo.
Desenho by naiaszdr (insta)
   -Pela Rachel... - ele pegou o facão com a mão esquerda e o levantou acima de sua cabeça, logo depois abaixando com um golpe rápido e preciso que acertou um coco que repousava sobre sua estante, o partindo no meio - ...eu faria qualquer coisa. - olhou para seu estrago com uma expressão triste e enrolou a lâmina em um pedaço de couro e a guardando em seguida - Quem sabe o que ela deve estar passando agora, em meio àquela mata escura e sombria. Não posso fraquejar por uma coisa tão boba.
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segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

O Breu - Capítulo 15

O breu

   Estava tudo escuro e o som da mata a noite podia ser ouvido, tudo parecia um sonho estranho. Rachel sentia folhagem macia embaixo de si e o cheiro familiar de flores, mas nada era visível. Podia sentir-se envolvida por um arbusto que parece ter reduzido sua queda e se levantou para sair dele.

   A sensação de entorpecimento e uma dor de cabeça eram suas companheiras, podia sentir seu corpo dormente como se estivesse acabado de sair de um pesadelo. A confusão invadia seus pensamentos "Onde estou?" era o que se repetia enquanto apenas conseguia lembrar-se da terrível queda que sofreu.
   Tentou olhar ao redor, mas não havia luz alguma, então se viu obrigada a andar com as mãos esticadas e os ouvidos atentos. Andou tropeçando em algumas pedras e deformidades na terra, mas conseguiu chegar até uma superfície firme e rugosa.
   Lhe parecia ser uma árvore, o que lhe deu uma sensação de alívio e se apoiou nela como se pudesse protegê-la daquela cegueira. Havia pisado em algo estranho, o que a fez se abaixar para averiguar.
   Era algo de palha que ao segurar logo pôde perceber ser sua bolsa, sem pestanejar enfiou sua mão lá dentro e foi apalpando até encontrar a lamparina e o sílex e aço. Como pegou a prática de acender fogo nas noites que tinha pesadelos com a fera, não teve dificuldade em fazer.
Imagem Meramente Ilustrativa-BajomanBold

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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Perturbação Noturna - Capítulo 14

Perturbação Noturna 

   Uma pequena garotinha de 5 anos segurava um boneco de pano estava de pé diante de uma rede, em meio ao quarto escuro ela encarava o rosto de seu irmão que dormia tranquilamente. Seus olhos brilhavam com a luz da lua que entrava pela janela, seu rosto estava suado e sentia seu corpo todo dormente e queimando de dentro para fora.
   Estendeu sua mão livre e tocou o rosto do garoto, era macio e possuía um corte não profundo na bochecha. Seu polegar deslizava devagar para cima e para baixo nas maçãs da bochecha dele, se aproximou mais com cautela. 
   Beijou-lhe a testa com carinho e silenciosamente subiu na rede com ele. Assim que sua cabeça encostou no peito dele, acordou sorrindo e a envolvendo com os braços. O calor era bom, parecia mais quente que sua queimação interna e a fazia relaxar.
Desenho by naiaszdr (insta)
   -O que foi dessa vez Rachel? - sussurrou em seu ouvido.
   -Era aquele bicho mau de novo, aquele que era um homem. Desta vez eu não acordei quando ele estava se transformando, eu vi ele chegar perto de mim e tentar me comer. - disse abraçando os braços de Kale com força, mas depois afrouxando - Por sorte tinha uma mulher grande que me pegou e fugiu, ela era muito cheirosa. 
   -Como ela era? - ele a perguntou enquanto lhe acariciava os cabelos.
   -Ela cheirava leite e flores, era tão quentinha e eu ouvia seu coração batendo. - a menina sorria - me senti segura, mais que quando a mamãe me faz dormir. Fui colocada em um lugar escuro e macio, mas não queria isso, eu a vi chorando e fiz o mesmo. Algo estava errado, ouvi um barulho e quando voltei a olhar, ela não estava mais lá.
   -Vai ficar tudo bem, ta bom? - Kale a apertou um pouco mais forte - Eu vou sempre estar aqui pra te proteger, eu prometo.
   -Eu te amo irmãozão, algum dia vou ser tão forte e corajosa quanto você. - Rachel disse com entusiasmo
   -Não sou tão corajoso assim, eu tô morrendo de medo de o papai ouvir a gente aqui e vir nos dar uns cascudos. - respondeu risonho - Boa noite irmãzinha, eu te amo muito.
   -Boa noite, durma bem. - se ajeitou nos braços dele e voltou a dormir.
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quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

O Rugido - Capítulo 13

O Rugido

   O silêncio penetrante e a tensão de Kale e seus pais voltando pra casa em meio ao barulho das folhas ao vento foi cortado pelo barulho de um rugido nunca ouviram antes. Todos congelaram por um momento, tentando assimilar o que acabaram de ouvir. O garoto foi o primeiro a reagir, segurando sua mãe no colo e correndo em disparada abandonando o pai pra trás.
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   - Seu maldito, quer me deixar como sacrifício? - gritou o velho homem enquanto corria atrás do filho e esposa - se eu morrer juro que vou voltar pra assombrar vocês.

   Por sorte estavam na metade do caminho de casa e puderam entrar as pressas, batendo a porta com força, fazendo a casa tremer, agindo como se o animal que emitiu aquele rugido estivesse seguindo eles. Kale colocou Isabel cuidadosamente de pé no chão e se virou para o pai.
   - Ela disse que tinha algo lá você ouviu, não ouviu? - esbravejou o garoto - E se aquilo estiver perto dela? E se tiver ferido ela a essa altura?
   - E o que você quer que eu faça? Entre lá pra morrer? - gritou o pai em alto e bom som - Sua mãe apenas adiou o inevitável, correr para aquela floresta a noite é suicídio.
   - Se não tivesse a espantado nada disso teria acontecido - enquanto brigava com o pai percebeu que nunca havia levantado a voz pra ele antes desse dia.
   - Ah, queria que eu a desse flores por ela ter se embrenhado naquela floresta maldita? Conta outra.
   - Recomendo vocês pararem de brigar... - disse Isabel que estava servindo a sopa que Kale havia preparado antes de eles chegarem - ...ou a comida vai esfriar.
   Ambos a fitaram e sentiram um arrepio, a mulher que momentos atrás estava chorando agora demonstrava uma expressão dura, um olhar frio e a voz afiada como uma faca. Como dois cães obedientes, pai e filho pegaram suas tigelas e se sentaram para comer, restaurando o silêncio da casa.
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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Os Pais - Capítulo 12

Os Pais

Diferente da irmãzinha, Kale era conhecido por todos seus vizinhos pelo carisma e habilidades de coleta. Além de trazer para a família, vendia para os vizinhos que ficavam impressionados em como um garoto de apenas 17 anos podia ter tanto conhecimento sobre plantas e frutos. Enquanto os garotos da sua idade estavam atrás de surfar e namorar várias garotas, ele preferia ajudar seus pais e dar atenção à Rachel em seu tempo livre.
Desenho by naiaszdr (insta)
Seu pai, que se chamava Michael, caçava pequenos animais na floresta usando armadilhas e iscas vivas, todos os dias trazia carne fresca e mostrava um orgulho doentio quando mostrava a quantidade que capturara. Sua mãe, que se chamava Isabel, era uma curandeira conhecida e ensinou a seu filho tudo que sabia sobre ervas medicinais. Apesar de seu pai sempre o obrigar a caçar com ele, quando era mais novo, Kale preferia os ensinamentos de sua mãe.
O que deixava ele bravo, fazendo-o ficar agressivo e descontar em sua esposa, que não tinha culpa daquilo. Mas neste dia ele estava mais furioso que nunca, parecia ao ponto de explodir o que fazia Kale ficar receoso, como se a qualquer momento fosse se virar e atacá-lo. Permanecia de pé entre a mãe e o pai, não sabia se mantinha os olhos na floresta que estava balançando com os ventos da chuva ou no animal raivoso a sua frente.
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Estava frio e ele continuava sem camisa, a luz das velas refletia em algumas de suas cicatrizes profundas, a maioria parecia ter anos, outras menores pareciam recentes. Eram lembranças de uma época que não poderia resistir ao seu pai lhe arrastando pelas pernas para ensiná-lo seu ofício.
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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

A Queda - Capítulo 11

A Queda

   Longos e intermináveis minutos se passaram até que a garotinha pudesse ouvir seu nome ser proferido incessantemente pelo irmão, havia desespero na voz dele e seus pais vinham logo atrás. Passaram por debaixo de onde ela estava, a fazendo agarrar o galho com mais firmeza e observar seus rostos iluminados pela lamparina.
   Pareciam amedrontados, o que a surpreendeu, nunca os viu assim. Pôde vê-los chegar em um ponto não muito além e seu pai estava ordenando que Kale voltasse, alegando que ela voltaria ao sentir fome e sede. O garoto estava cansado e preocupado e mesmo não convencido, o garoto se viu obrigado a voltar para casa. 
Desenho by naiaszdr (insta)
    Rachel sorriu triunfante, havia os despistado e sabia que não voltariam aquela noite. Porém enquanto estava ouvindo a conversa não ouviu o barulho de algo rachando, percebeu tarde demais que era o galho e em um último esforço segurou-se na faca de caça que estava cravada entre o tronco da arvore e a base do galho, sendo o provável motivo de sua quebra.
   Seu peso foi o suficiente para que a faca se soltasse, seu rosto empalideceu enquanto sentia-se deslizar e a sensação de poder colidir a qualquer momento a fazia entrar em pânico. O tempo corria devagar e todos seus arrependimentos pareciam enormes na percepção de uma garotinha de 12 anos. Antes do impacto já estava desacordada e não sentiu nada.
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