segunda-feira, 9 de março de 2020

Sua Culpa - Capítulo 22

Sua Culpa

   A mesa estava vazia, Kale não havia feito o café da manhã, como lhe era de costume e parecia ter saído muito cedo. Michael olhou para Isabel com descontentamento e abriu a boca:
   -Consegue ver? Isso tudo foi por sua causa. - ele colocou seu dedo no busto dela - Se estivesse satisfeita com apenas nosso filho não teria trazido aquela coisa para nossa casa, o amoleceu e você deu corda. Que mané de ensinar coisa de mulherzinha para nosso filho, por causa disso ele não quis ser macho e agora ta enfiado no mato atrás daquela amaldiçoada.
   A mulher o encarou como se fosse responder, mas simplesmente abaixou sua cabeça e apenas ouviu ele gritar com ela, estava coagida demais para refutar. Repentinamente ele estendeu sua mãozorra que entrelaçou-se entre os cabelos de sua esposa.
   -Tá me ouvindo? - disse enquanto fechava a mão com força nos delicados cabelos - Me responda se está ouvindo
   -Sim, eu estou ouvindo - disse com uma voz mansa
   -Pelo visto sua mãe te educou direito, nem para você seguir o exemplo dela e pelo menos disciplinar aquela maldita. - disse cuspindo.
   - Eu sinto muito, - disse com uma voz chorosa - não fique agressivo, por favor.
   -Só se arrependeu agora? Pelo visto precisa de uma punição para se arrepender de verdade. - a arrastou pelos cabelos para o quarto e fechou a porta.


Muito obrigada por ler até aqui, lhe vejo na próxima.

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segunda-feira, 2 de março de 2020

A Cobra - Capítulo 21

A Cobra

   -Não acho que ele se importaria se tivéssemos um pouco de diversão! - se aproximou o terceiro homem, com o corpo coberto de símbolos que pareciam profundos em sua carne e acariciou-lhe o pescoço de forma repulsiva - O que acham Kai e Carter?
   -Tá de brincadeira Jeff? Eu cheguei primeiro, pode já tirar as mãos dela. - disse Kai o empurrando - Não passei aquele tempo todo pescando nosso churras pra os vagabundos me passarem a perna.
   -Pelo que me lembro todos trouxerem algo aquele dia. - disse Carter - Que tal competirmos pra decidir?
Desenho by naiaszdr (insta)

   A garotinha não entendia sua discussão, mas estava assustada com aquelas coisas estranhas que eles diziam envolvendo palavras sujas e agressivas. Até que sentiu algo escorregadio subir-lhe as costas, quando virou o pescoço viu uma cobra em seu ombro que lhe sussurrou:
   -Que tal fazermos um acordo? Eu lhe dou uma picadinha de leve no braço e em troca te livro dessa enrascada. Juro que não vai doer e nem vai ficar a marquinha.
   A garota suspirou em alívio, confiava nos animais da floresta, apesar de um falante lhe parecer curioso. Sorriu acenando com a cabeça para o animal que tratou de se enrolar em seu braço e assim prendendo o fluxo de sangue que circulava nele.
   Suas presas eram negras como carvão e seus olhos ficaram vermelho vibrante, a garota gemeu de dor em resposta a dor intensa que sentia, os homens estavam tão distraídos brigando e se batendo que não perceberam.
   - Antes de começar os efeitos tem algo que eu gostaria de lhe dizer; - disse a cobra se desenrolando - O pior veneno não é o das cobras, mas o dos homens que insistem corromper garotas inocentes. - segurou com sua cauda a faca de caça que estava na bolsa e a entregou
   -O que quer que eu faça com isso? - perguntou a menina olhando para a lâmina cinza vibrante enquanto os buracos em seu pulso pingavam um líquido escuro.
   -Defenda-se - sibilou a cobra - os machuque antes que seja tarde demais.
   -Mas eu nunca... - seus olhos se obscureceram como se o veneno estivesse invadindo sua visão.
   -Minha criança, estenda esta faca e deixe todo o resto comigo - sibilou de forma gentil - com meu poder você pode se livrar dessas três ameaças.

Músicas ouvidas durante a edição:
- The Wolf and The Sheep - Alec Benjamin
- Tag You´re It - Melanie Martinez
- Cradles - Sub Urban

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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Pós Carnaval

Finalmente o carnaval acabou
promessas devem ser cumpridas e o ano finalmente começou de verdade.
Tenho um aviso a dar:
Não houve um novo capítulo nessa segunda de carnaval, se puderam perceber, mas haverão novos capítulos dia 2 e 9 de março. 
Estes serão prosseguidos por um período de folga que vai do dia 10 ao 22 para eu me focar nos meus estudos.
Conto com o seu apoio, obrigada
Imagem Meramente Iustrativa - contabeis.com.br

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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Pegadas - Capítulo 20

Pegadas

   O barulho da floresta era tudo que o garoto conseguia ouvir, galhos balançavam e o vento sussurrava coisas ininteligíveis. Se perguntava onde Rachel poderia estar, mas temia gritar seu nome e ser ouvido pela mata, não sabia o que faria se o inferno o respondesse. 
   Seu coração quase parou de surpresa, pegadas de um grande animal estavam visíveis e frescas aos seus pés, como se houvesse passado a pouco tempo. Foi quando a coragem do garoto lhe escapou, porém ainda lhe sobrava a determinação para continuar mesmo se sentindo como um cão com o rabo entre as pernas.
Desenho by naiaszdr (insta)
   Receoso e indo contra seus instintos seguiu por onde a fera passou, escondido entre as folhagens próximas. Indo assim até onde as pegadas acabaram e se deparou com um grande felino de orelhas redondas, corpo esguio como um puma e uma cauda longa, peluda e coberta de listras como as de um panda vermelho lambendo sua pata.
   A visão do animal lhe deu arrepios, seu pelo negro e rubro lhe fazia lembrar sangue e suas garras eram tão afiadas que poderia cortar sua carne como se fosse papel. O animal parece ter notado sua presença, virando repentinamente sua cabeça na direção dele, fazendo-o congelar no tempo ao fitar o fundo daqueles olhos verde jade. Se levantou e foi na direção de Kale, de forma vagarosamente assustadora.
   Sua mente gritava para correr, mas suas pernas não obedeciam, paralisado pelo medo via não só a vida passar diante seus olhos, mas se imaginava sendo feito em pedaços por aqueles dentes afiados. Estava encarando a boca até perceber que havia um pedaço do vestido de sua irmã preso, o pensamento de que aquele animal havia feito algum mal a ela fez o sangue ferver em suas veias o fazendo esquecer o medo e empunhar as duas lâminas que carregava de forma agressiva.
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Bairro Fantasma - Capítulo 19

Bairro Fantasma

   A garotinha parecia longe de casa, pois tudo parecia-lhe abandonado e quebrado, nunca havia visto um lugar assim e caminhou pelas ruas com areia e pedras de limo que lhe escorregavam os pés. Aquele silêncio lhe arrepiava a espinha e lhe deixava mais insegura a cada passo, até ouvir uma voz.
Desenho by naiaszdr (insta)
   Foi até um beco onde haviam três homens conversando, por nunca ter se afastado tanto de casa ficou curiosa com aquelas pessoas. Estavam todos mal vestidos e um deles possuía um olhar doentio, todos cheiravam a algo forte que a pequena garota nunca havia sentido. Tentou se aproximar um pouco mais pra saber sobre o que estavam falando, mas acabou tropeçando em uma garrafa de barro que fez muito barulho nas pedras.
   Os três homens viraram-se para de onde vinha o som e a avistaram tentando se esconder. O de olhar insano a alcançou tão rápido que ela se perguntava como alguém poderia correr tanto, ele segurou seu braço delicado e a puxou para perto. Algo parecia ter morrido em sua boca e sua expressão parecia com a do pai chegando em casa com comida a mais para o jantar.
   -O que uma garotinha tão meiga faz sozinha nessa rua e abandonada por deus? - disse com um sorriso forçado - espera um pouco, cabelos pretos, olhos grandes e rosto delicado, você deve ser a filha daquele caçador fracassado.
   -Aquele bêbado miserável? Ele não traz carne daquela floresta imunda? - o homem que disse aparentemente tinha falta de alguns dentes - Sempre enchendo a boca para falar de uma criança maldita que a mulher dele catou no mato.
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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Insegurança - Capítulo 18

Insegurança

   Quando os primeiros raios de sol entraram pela janela enchendo seu quarto de luz, o garoto saiu sem se preocupar com os roncos estridentes de seus pais. A neblina estava tão densa que poderia ser cortada com um simples movimento de mão, consequência da chuva da noite anterior. Poucos ousavam transitar nessas condições, porém o garoto já estava acostumado a sair para trabalhar em quaisquer circunstâncias.
   Uma brisa gentil lhe atingia o rosto embaçando-lhe os cachos cor de caramelo e suas narinas eram atingidas pelo cheiro de terra molhada. A sensação ao adentrar a mata era de deslocamento, como se conscientemente ela não lhe considerasse bem-vindo. 
Desenho by naiaszdr (insta)
   Andar entre as arvores era vaguear pelo seu passado de brutalidades, um sangue derramado por diversão. Inseguro ele continuou adentrando não havia volta a essa altura, sua determinação para encontrar a irmã e retorná-la para casa era maior.
   As arvores se inclinavam em sua direção como se fossem despencar nele e lhe gritar injúrias, seguia olhando a redor atento, segurando na mão esquerda de forma confiante a faca que usava diariamente e na esquerda o facão escorregava-lhe. A cada barulho de movimento se virava na defensiva, como se a qualquer momento algo fosse pular nele e o comer vivo.
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segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

A Penumbra - Capítulo 17

A Penumbra

   Uma floresta de arvores altas muito próximas e com folhas tão volumosas que impediam que a luz do sol pudesse entrar lá era tudo o que se podia ver com a lamparina. Um barulho de vegetação se mexendo chamou a atenção da garotinha para uma trilha de orquídeas negras jogadas de forma aleatória como se algo tivesse andado por lá as deixando cair não intencionalmente.
   Lembrou-se da primeira vez que sentiu seu aroma e decidiu descobrir onde essas misteriosas flores levavam. Quanto mais avançava mais forte o perfume estava, mas seu sensível olfato não se incomodava, na verdade lhe parecia muito familiar. Se sentia mais atraída a cada passo, como uma mosca indo em direção a uma lâmpada.
   Se assustou após ver dois olhos brilhantes como jade vindos de um arbusto a sua frente, apesar de suas pupilas serem como as de uma cobra, seu olhar era semelhante ao humano. Sentia a necessidade de chegar mais perto então se aproximou com cautela e estava confusa em como não havia visto algo assim antes, lhe parecia inexplicável.

Desenho by naiaszdr (insta)
   Quando apenas a distância de uma braçada dividia o animal e a menina podia sentir um bafo de carne e sangue, mas não recuou. Um instante foi o suficiente para que a fera se levantasse e saísse correndo na direção oposta, sendo seguida pela criança que tratou de se embrenhar em meio ao caos de folhas e gravetos do arbusto. 
   Atravessou-o e seus olhos foram atingidos pela luz sol, apesar da alegria de sair daquele lugar, sua busca parecia ter sido inútil ao perceber que havia perdido-a de vista. Tudo parecia ter sido uma estranha alucinação.
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Insônia - Capítulo 16

Insônia

   Suas preocupações de lhe impediam o sono naquela noite, Kale não conseguia parar de pensar na irmãzinha perdida na mata. Não poderia fazer isso as cegas a essa hora da noite, especialmente depois de ter ouvido aquele som pavoroso que lhe causava arrepios.
   As primeiras horas da madrugada foram gastas escrevendo de forma fervorosa em um pequeno caderno de anotações com capa de pele de cobra, o garoto ainda se lembrava com remorso o dia em que matou aquele animal. Após algum tempo ele cansou e deitou-se na rede, ficando muito tempo olhando pensativo para o teto enquanto se balançava devagar, adormecendo sem perceber. Em seu ele havia escrito um poema como um grito silencioso tentando expressar como se sentia:
Em meio àquela floresta
Vários olhos voltados a mim
E tudo que me resta
é continuar mesmo assim
Não há como parar
Muito menos como voltar

A lua iluminando-me o rosto
Enquanto a garota eu puxo a contragosto
Posso sentir seu fino pulso
Como se fosse quebrar em minhas mãos
Por um instante me sinto como um urso
Como se para meu pai inexistentes fossem os "nãos"

Não estava realmente bravo,
só preocupado
Não poderia perder o que para mim é precioso
Que era minha pequena irmã
Não poderia deixar se machucar
Aquela que eu podia sentir o osso
Mesmo meu pai a não se importar
O olhar inocente me atraia os cuidados como um imã
Desenho by naiaszdr (insta)
   Ao ouvir os primeiros pássaros cantarem em sua janela perto do amanhecer, tratou de levantar e arrumar-se para sair, vestiu uma jaqueta de pele de javali, calças de pele de coelho e botas feitas de pele de cobra, tudo que ele se enojava ter tirado a vida e que sua vizinha costurou.
   Pegou na gaveta a faca que costumava usar para extrair ervas diariamente e se deparou com o facão que ganhou de presente quando era pequeno, não parecia mais tão pesado desde a última vez que se viu obrigado a usar aquilo. Tantas más recordações em um único objeto de uma época que ele não podia apenas dizer "não" e sair correndo.
Desenho by naiaszdr (insta)
   -Pela Rachel... - ele pegou o facão com a mão esquerda e o levantou acima de sua cabeça, logo depois abaixando com um golpe rápido e preciso que acertou um coco que repousava sobre sua estante, o partindo no meio - ...eu faria qualquer coisa. - olhou para seu estrago com uma expressão triste e enrolou a lâmina em um pedaço de couro e a guardando em seguida - Quem sabe o que ela deve estar passando agora, em meio àquela mata escura e sombria. Não posso fraquejar por uma coisa tão boba.
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segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

O Breu - Capítulo 15

O breu

   Estava tudo escuro e o som da mata a noite podia ser ouvido, tudo parecia um sonho estranho. Rachel sentia folhagem macia embaixo de si e o cheiro familiar de flores, mas nada era visível. Podia sentir-se envolvida por um arbusto que parece ter reduzido sua queda e se levantou para sair dele.

   A sensação de entorpecimento e uma dor de cabeça eram suas companheiras, podia sentir seu corpo dormente como se estivesse acabado de sair de um pesadelo. A confusão invadia seus pensamentos "Onde estou?" era o que se repetia enquanto apenas conseguia lembrar-se da terrível queda que sofreu.
   Tentou olhar ao redor, mas não havia luz alguma, então se viu obrigada a andar com as mãos esticadas e os ouvidos atentos. Andou tropeçando em algumas pedras e deformidades na terra, mas conseguiu chegar até uma superfície firme e rugosa.
   Lhe parecia ser uma árvore, o que lhe deu uma sensação de alívio e se apoiou nela como se pudesse protegê-la daquela cegueira. Havia pisado em algo estranho, o que a fez se abaixar para averiguar.
   Era algo de palha que ao segurar logo pôde perceber ser sua bolsa, sem pestanejar enfiou sua mão lá dentro e foi apalpando até encontrar a lamparina e o sílex e aço. Como pegou a prática de acender fogo nas noites que tinha pesadelos com a fera, não teve dificuldade em fazer.
Imagem Meramente Ilustrativa-BajomanBold

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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Perturbação Noturna - Capítulo 14

Perturbação Noturna 

   Uma pequena garotinha de 5 anos segurava um boneco de pano estava de pé diante de uma rede, em meio ao quarto escuro ela encarava o rosto de seu irmão que dormia tranquilamente. Seus olhos brilhavam com a luz da lua que entrava pela janela, seu rosto estava suado e sentia seu corpo todo dormente e queimando de dentro para fora.
   Estendeu sua mão livre e tocou o rosto do garoto, era macio e possuía um corte não profundo na bochecha. Seu polegar deslizava devagar para cima e para baixo nas maçãs da bochecha dele, se aproximou mais com cautela. 
   Beijou-lhe a testa com carinho e silenciosamente subiu na rede com ele. Assim que sua cabeça encostou no peito dele, acordou sorrindo e a envolvendo com os braços. O calor era bom, parecia mais quente que sua queimação interna e a fazia relaxar.
Desenho by naiaszdr (insta)
   -O que foi dessa vez Rachel? - sussurrou em seu ouvido.
   -Era aquele bicho mau de novo, aquele que era um homem. Desta vez eu não acordei quando ele estava se transformando, eu vi ele chegar perto de mim e tentar me comer. - disse abraçando os braços de Kale com força, mas depois afrouxando - Por sorte tinha uma mulher grande que me pegou e fugiu, ela era muito cheirosa. 
   -Como ela era? - ele a perguntou enquanto lhe acariciava os cabelos.
   -Ela cheirava leite e flores, era tão quentinha e eu ouvia seu coração batendo. - a menina sorria - me senti segura, mais que quando a mamãe me faz dormir. Fui colocada em um lugar escuro e macio, mas não queria isso, eu a vi chorando e fiz o mesmo. Algo estava errado, ouvi um barulho e quando voltei a olhar, ela não estava mais lá.
   -Vai ficar tudo bem, ta bom? - Kale a apertou um pouco mais forte - Eu vou sempre estar aqui pra te proteger, eu prometo.
   -Eu te amo irmãozão, algum dia vou ser tão forte e corajosa quanto você. - Rachel disse com entusiasmo
   -Não sou tão corajoso assim, eu tô morrendo de medo de o papai ouvir a gente aqui e vir nos dar uns cascudos. - respondeu risonho - Boa noite irmãzinha, eu te amo muito.
   -Boa noite, durma bem. - se ajeitou nos braços dele e voltou a dormir.
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quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

O Rugido - Capítulo 13

O Rugido

   O silêncio penetrante e a tensão de Kale e seus pais voltando pra casa em meio ao barulho das folhas ao vento foi cortado pelo barulho de um rugido nunca ouviram antes. Todos congelaram por um momento, tentando assimilar o que acabaram de ouvir. O garoto foi o primeiro a reagir, segurando sua mãe no colo e correndo em disparada abandonando o pai pra trás.
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   - Seu maldito, quer me deixar como sacrifício? - gritou o velho homem enquanto corria atrás do filho e esposa - se eu morrer juro que vou voltar pra assombrar vocês.

   Por sorte estavam na metade do caminho de casa e puderam entrar as pressas, batendo a porta com força, fazendo a casa tremer, agindo como se o animal que emitiu aquele rugido estivesse seguindo eles. Kale colocou Isabel cuidadosamente de pé no chão e se virou para o pai.
   - Ela disse que tinha algo lá você ouviu, não ouviu? - esbravejou o garoto - E se aquilo estiver perto dela? E se tiver ferido ela a essa altura?
   - E o que você quer que eu faça? Entre lá pra morrer? - gritou o pai em alto e bom som - Sua mãe apenas adiou o inevitável, correr para aquela floresta a noite é suicídio.
   - Se não tivesse a espantado nada disso teria acontecido - enquanto brigava com o pai percebeu que nunca havia levantado a voz pra ele antes desse dia.
   - Ah, queria que eu a desse flores por ela ter se embrenhado naquela floresta maldita? Conta outra.
   - Recomendo vocês pararem de brigar... - disse Isabel que estava servindo a sopa que Kale havia preparado antes de eles chegarem - ...ou a comida vai esfriar.
   Ambos a fitaram e sentiram um arrepio, a mulher que momentos atrás estava chorando agora demonstrava uma expressão dura, um olhar frio e a voz afiada como uma faca. Como dois cães obedientes, pai e filho pegaram suas tigelas e se sentaram para comer, restaurando o silêncio da casa.
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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Os Pais - Capítulo 12

Os Pais

Diferente da irmãzinha, Kale era conhecido por todos seus vizinhos pelo carisma e habilidades de coleta. Além de trazer para a família, vendia para os vizinhos que ficavam impressionados em como um garoto de apenas 17 anos podia ter tanto conhecimento sobre plantas e frutos. Enquanto os garotos da sua idade estavam atrás de surfar e namorar várias garotas, ele preferia ajudar seus pais e dar atenção à Rachel em seu tempo livre.
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Seu pai, que se chamava Michael, caçava pequenos animais na floresta usando armadilhas e iscas vivas, todos os dias trazia carne fresca e mostrava um orgulho doentio quando mostrava a quantidade que capturara. Sua mãe, que se chamava Isabel, era uma curandeira conhecida e ensinou a seu filho tudo que sabia sobre ervas medicinais. Apesar de seu pai sempre o obrigar a caçar com ele, quando era mais novo, Kale preferia os ensinamentos de sua mãe.
O que deixava ele bravo, fazendo-o ficar agressivo e descontar em sua esposa, que não tinha culpa daquilo. Mas neste dia ele estava mais furioso que nunca, parecia ao ponto de explodir o que fazia Kale ficar receoso, como se a qualquer momento fosse se virar e atacá-lo. Permanecia de pé entre a mãe e o pai, não sabia se mantinha os olhos na floresta que estava balançando com os ventos da chuva ou no animal raivoso a sua frente.
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Estava frio e ele continuava sem camisa, a luz das velas refletia em algumas de suas cicatrizes profundas, a maioria parecia ter anos, outras menores pareciam recentes. Eram lembranças de uma época que não poderia resistir ao seu pai lhe arrastando pelas pernas para ensiná-lo seu ofício.
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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

A Queda - Capítulo 11

A Queda

   Longos e intermináveis minutos se passaram até que a garotinha pudesse ouvir seu nome ser proferido incessantemente pelo irmão, havia desespero na voz dele e seus pais vinham logo atrás. Passaram por debaixo de onde ela estava, a fazendo agarrar o galho com mais firmeza e observar seus rostos iluminados pela lamparina.
   Pareciam amedrontados, o que a surpreendeu, nunca os viu assim. Pôde vê-los chegar em um ponto não muito além e seu pai estava ordenando que Kale voltasse, alegando que ela voltaria ao sentir fome e sede. O garoto estava cansado e preocupado e mesmo não convencido, o garoto se viu obrigado a voltar para casa. 
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    Rachel sorriu triunfante, havia os despistado e sabia que não voltariam aquela noite. Porém enquanto estava ouvindo a conversa não ouviu o barulho de algo rachando, percebeu tarde demais que era o galho e em um último esforço segurou-se na faca de caça que estava cravada entre o tronco da arvore e a base do galho, sendo o provável motivo de sua quebra.
   Seu peso foi o suficiente para que a faca se soltasse, seu rosto empalideceu enquanto sentia-se deslizar e a sensação de poder colidir a qualquer momento a fazia entrar em pânico. O tempo corria devagar e todos seus arrependimentos pareciam enormes na percepção de uma garotinha de 12 anos. Antes do impacto já estava desacordada e não sentiu nada.
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